Rachaduras na parede podem ser um problema sério, saiba o que fazer.

Tudo começa com uma simples e inofensiva fissura, quase imperceptível. Algum tempo depois, incomodada com a falta de atenção, a fissura vira trinca. Começamos então, vez ou outra, a notar sua presença, mas não lhe damos a atenção devida e é aqui que o problema vai ficando mais grave. Eis que a trinca cresce e se alimentando silenciosamente da variação de temperatura, da umidade, da sobrecarga, do recalque (afundamento do solo), da qualidade duvidosa dos materiais usados na construção ou mesmo de alteração química desses materiais, entre outros; vai ficando mais forte e de trinca passa a rachadura. Agora sim, não tem como evitar, sua presença incomoda e constrange, principalmente quem tem o costume de receber amigos e familiares em casa. Rachaduras são como adolescentes: imprevisíveis e podem dar muito trabalho, podem esconder problemas estruturais sérios, não podem ser menosprezadas e se nada for feito, podem crescer ainda mais, até atingirem a idade adulta, como Fendas. Antes que seja tarde demais, saiba como se prevenir e o que fazer.

Fissura, trinca, rachadura ou fenda: saiba como identificar cada uma delas.

Antes de qualquer coisa, é preciso saber se estamos diante de uma simples fissura, ou uma complicada rachadura que denuncia algo maior por trás. Só tem um jeito de saber: pegue uma régua e faça a medição da dita cuja.

  • Fissura: abertura de até 0,5mm (milímetros)
  • Trinca: abertura de 0,5 a 1mm
  • Rachadura: de 1 a 1,5mm
  • Fenda: abertura superior a 1,5mm

Agora que você já sabe mais ou menos com quem está lidando, vamos conhecer mais as características de cada uma:

Fissura

A fissura é uma abertura fina, alongada, inferior ou igual a 0,5mm e é, geralmente, superficial, atingindo somente a pintura e/ou o revestimento cerâmico. O problema maior da fissura é a aparência estética.

Trincas

Já as trincas, são mais profundas e não se limitam a superfície da massa ou pintura, elas alcançam a alvenaria, possuem abertura superior a 0,5mm e inferior a 1mm, podendo afetar a segurança dos componentes da estrutura de um prédio ou casa.

Rachaduras

As rachaduras têm as mesmas características de uma trinca, mas com abertura maior, mais profundas e acentuadas, o que ocasiona até mesmo interferências indesejáveis como a entrada de vento e água de chuva. As rachaduras mais preocupantes são as que aparecem em algum elemento da estrutura da edificação, pilares (verticais), vigas (horizontais) ou lajes. As rachaduras nas paredes de alvenaria também podem representar um problema na estrutura ou uma deficiência de acabamento, esta última provocando apenas uma desordem estética sem gravidade.

Fendas

Fendas são sinais de que provavelmente existe um comprometimento estrutural grave, mas apenas um engenheiro pode confirmar essa suspeita. Em qualquer um dos casos, independente se forem trincas, rachaduras ou fendas, na dúvida, o melhor a fazer é solicitar um orçamento de um profissional capacitado em perícias técnicas e laudos de engenharia.

Saiba como resolver o problema das rachaduras.

 

Precauções:

As trincas ou fissuras rasas, na vertical ou horizontal, geralmente, são superficiais e menos preocupantes, sem relação com a estrutura. O ideal é um engenheiro avaliar, mas elas indicam menos perigo. Para reparar essas trincas mais leves, o pedreiro deverá saber usar uma tela sintética ou uma pasta cremosa acrílica própria para fechar trincas. Ambas são uma espécie de “curativo flexível” que preenche a falha e protege as áreas próximas. E depois ele deve preparar a parede com massa fina e pintar.

Já as rachaduras inclinadas (profundas e na diagonal) indicam danos na estrutura, que pode estar cedendo por algum problema na fundação, nas lajes, na estrutura de suporte da casa ou por excesso de peso. Neste último caso o problema pode ser porque foi construído mais um andar na casa ou colocado algum peso na laje (como uma nova caixa d´água). Chame com urgência um engenheiro ou a Defesa Civil da sua cidade para avaliar a gravidade do problema.

Outro problema muito comum, infelizmente, é a fundação mal feita. Se a casa foi construída sobre um solo instável e a fundação não foi apropriada isso, tenha muito cuidado. Os principais sinais de fundação mal feita são: as portas e janelas saem do alinhamento e é difícil de fechar, o piso fica inclinado, aparecem rachaduras entre piso e parede ou entre piso e teto e surgem nas paredes grandes rachaduras inclinadas, com padrão regular, que vão ficando cada vez maiores.

Nem tudo está perdido

Nem toda rachadura representa um risco estrutural grave, mas em problemas estruturais geralmente aparecem rachaduras e deformações. Elas são indicadores de risco especialmente quando vão aumentando com o tempo. Rachaduras em elementos estruturais (laje, viga, pilar, fundação) são bem preocupantes.

O importante é verificar se ela aumenta no comprimento e principalmente na largura. Meça a rachadura com uma régua e acompanhe a evolução com o passar de alguns dias. Se ela aumenta, é provável que exista algum problema de ordem estrutural – as lajes, vigas e pilares não estão suportando a carga e a transmitem para as paredes. Se não há evolução da rachadura, é provável que seja apenas um problema relacionado ao acabamento.

Quais podem ser os problemas:

  • Acomodação da obra no terreno: É uma das origens mais comuns em novas edificações. Há um esforço por parte da fundação do prédio, que acaba sendo um pouco transferido para a alvenaria, gerando assim as fissuras;
  • Pressa ao dar o acabamento na obra: Ao não respeitar o tempo correto para secar alguns materiais (como a massa corrida), há mais chance daquele local apresentar trincas.
  • Obras nas unidades: Reformas que ocasionem um excesso de carga num andar ou alterações estruturais como retirada de paredes ou pilastras podem causar desabamentos. Exemplo: construção de uma parede não prevista pelo projeto original. A laje transfere o peso para os pilares, que podem sofrer avarias.
  • Movimento estrutural: Pode parecer estranho, mas a estrutura do prédio é flexível, para conseguir lidar com o vento, sons e obras vizinhas. Porém, muito movimento externo pode gerar fissuras.
  • Infiltrações: Impermeabilizações não duram para sempre. Quando não há uma renovação do material, a água pode se infiltrar seja pela ação da chuva ou de um vazamento, causando problemas estruturais ou estufando as paredes.
  • Calor: Principalmente em andares mais altos, que são mais expostos às intempéries, o calor faz com que haja uma dilatação dos materiais. Quando a temperatura volta ao normal, o local pode apresentar algumas trincas. Também pode acontecer em paredes por onde passem tubos que esquentem, como de água quente ou outros. Para evitar o problema, principalmente na laje superior, o ideal é que seja feita, após a concretagem e sua cura correta, uma impermeabilização, seguida de tratamento térmico e, então, o acabamento escolhido pode ser executado.
  • Água ácida: Em cidades com muitos carros, ou alto nível de poluição, a chuva pode se infiltrar em uma laje sem impermeabilização e degradar as estruturas protegidas pelo concreto. Essa água poderá oxidar o aço, comprometendo assim a segurança do local. Nesse caso, há uma transação entre as fases do problema. No primeiro momento, a água se infiltra na laje, e a rachadura ainda não verte água, há apenas uma mancha esbranquiçada. Ao perceber que a água começa a pingar dali, ou que a coloração da mancha migrou para o amarelado ou ocre, é sinal que o aço já foi oxidado e precisa de cuidado especializado urgente.
  • Escolha incorreta ou má qualidade de materiais: Infelizmente, se o material usado não é de boa qualidade, ou se não foi utilizado corretamente, o resultado final refletirá isso.
  • Sons, vibrações ou ventos muito fortes: Seja um som extremamente alto, um bate-estaca violento em uma obra próxima ou uma rajada de vento mais forte que o esperado, a edificação pode não estar preparada para recebê-los. Nesses casos, uma trinca pode aparecer.

Às vezes é necessário um laudo técnico de engenharia.

O que fazer:

Para acompanhar a evolução de uma trinca, faça uma marca de lápis grosso em cada extremidade da abertura. Verifique se as trincas se encontram em elementos estruturais: lajes, vigas, pilares. Quando a largura da abertura é acima de 0,5 mm, o CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo) recomenda que se recorra a um engenheiro ou perito habilitado e qualificado.

O que não fazer:

Se a intenção é pintar pra resolver rachadura ou manchas de infiltração e vazamento, melhor mudar de ideia. Conserte primeiro. Tinta não resolve esses problemas. E você pode ficar com a falsa ideia de que deu tudo certo, de que gambiarra vale a pena e de que você foi ótimo no disfarce, mas logo o problema reaparece. Se a fissura for superficial o pintor consegue tratar.

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Na dúvida chame o profissional

Se a rachadura está evoluindo rápido não perca tempo e chame o profissional para uma avaliação. A análise técnica de um engenheiro permite saber a gravidade do problema. Ele também pode indicar uma solução reparadora que evitará danos maiores.

Para Laudos em Engenharia, clique aqui.

Para Perícias Técnicas, clique aqui.

 

 

O perito chamado deve ser independente. Assim, ele identificará o que deve ser feito, prestando uma informação confiável, sem comprometimentos comerciais. Um tratamento inadequado poderá ocultar problemas maiores que aparecerão no futuro. Neste caso também, sai mais barato consultar um engenheiro especializado, que apresentará uma solução técnica correta, do que arriscar tratamentos paliativos.

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